Ao comprar uma roupa, estamos não apenas adquirindo um produto, mas também fazendo parte de uma lógica de mercado que movimenta o sistema da moda. Contra o consumismo desenfreado que tomou conta do mundo, então, surgiu o conceito slow fashion.

A ideia foi fundamentada nos anos 2000 pela professora e consultora de design biossustentável Kate Fletcher. Inspirada no movimento slow food, lançado no final dos anos 1980, a britânica propôs uma relação mais consciente com os produtos que consumimos no meio fashion.

Inovador e revolucionário, o movimento slow estimula uma conexão verdadeira com o processo de fabricação daquilo que compramos, nos tornando mais responsáveis pelas escolhas que fazemos e por seus impactos no planeta. Ele sugere buscar conhecer o modo como os produtos são feitos e as etapas da cadeia de produção, de modo a nos conscientizar de forma ética sobre os impactos socioambientais do setor. Continue lendo para entender mais sobre:

Tragédia virou marco do slow fashion

A história do movimento é marcada por um episódio fatídico. No dia 24 de abril de 2013, veio abaixo o Edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em que mais de mil trabalhadores da indústria de confecção morreram e, pelo menos, outros 2.500 ficaram feridos. As vítimas eram contratadas de marcas de renome internacional e atuavam sob condições análogas à escravidão.

Após a tragédia, um conselho global de profissionais da moda se uniu para sensibilizar o setor sobre as questões que envolvem todas as etapas do mercado e foi criado, no Reino Unido, o Fashion Revolution.

Desde então, esses profissionais vêm promovendo um amplo debate mundial para tornar o futuro da moda mais sustentável.

Hoje, o movimento ganhou a adesão de mais de 100 países e um dos primeiros resultados foi a campanha #QuemFezMinhasRoupas, que levanta o questionamento sobre as fases de produção, das pessoas por trás da fabricação das roupas e o verdadeiro custo das peças.

Principais características e vantagens do movimento

1. Visão abrangente

Para tomarmos decisões adequadas e justas sobre o que consumimos, precisamos antes reconhecer que nossas ações estão interconectadas a um sistema social e ecológico — isto é, ter uma visão abrangente sobre os impactos de nossas escolhas e como elas afetam a vida das pessoas e o meio ambiente do qual fazemos parte.

2. Menos consumo

O fast fashion estimula um consumo desenfreado, com a geração de tendências passageiras e uma produção acelerada que se utiliza de matéria-prima em larga escala. Esse processo não possibilita a regeneração do ecossistema. 

No caminho inverso, o slow fashion propõe uma redução do ritmo dessa produção, de forma programada e mais lenta, alinhada aos ciclos naturais dos materiais. Isso reduz o impacto ambiental e, consequentemente, o consumo em larga escala.

3. Valorização da diversidade

O movimento incentiva a coexistência de modelos de negócio inovadores, diversos e independentes, como designers e estilistas autônomos, cooperativas de profissionais, brechós, marcas que trabalham apenas com material reciclado e lojas de aluguel e troca de roupas. 

Ele também sugere o resgate de técnicas e métodos tradicionais de tingimento de tecidos e elaboração de vestimentas, que têm menos impacto na natureza e agregam mais significado e valor simbólico à peça. 

O movimento defende ainda a diversidade social, cultural e ecológica no processo de produção dos produtos, respeitando os ciclos da natureza sob um sistema de trabalho mais justo e transparente.

4. Negócio rentável

Para não se reduzir a tendências, o slow fashion aposta em peças atemporais, com cortes clássicos e produzidas com materiais de alta qualidade. Isso faz com que a peça tenha maior durabilidade e seu valor de investimento seja mais compensador.

Para se tornar rentável e competitiva, uma marca slow fashion deve incorporar ao valor de cada peça os custos desse sistema mais justo e a escolha por métodos mais sustentáveis, o que faz com que o valor final do produto seja maior em comparação com uma peça produzida em redes de fast fashion. 

Esperamos que você tenha se identificado com os valores do slow fashion — e que se interesse em participar desse movimento que veio para ficar! Para acompanhar mais novidades do universo da moda, siga os perfis do nosso blog nas redes sociais. Estamos no Facebook e Instagram!

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